22/07/2010
Tecnologia e a geração de empregos
A discussão sobre a relação dos avanços da tecnologia com o desemprego gera sempre muita polêmica e repercussão. Existem os que não vêem essa ligação, e pensam até o contrário, enquanto uma outra parcela da população considera que uma situação é conseqüência da outra. O engenheiro civil Pio Canedo, Diretor Técnico da 90 Tecnologia da Informação, republicou em sua coluna na Revista Informador das Construções um texto escrito há mais de três anos, analisando essa relação na área de Tecnologia da Informação. Pio utilizou a seguinte pergunta para desenvolver sua linha de raciocínio: “O avanço da tecnologia causa desemprego?”. Ao discorrer sobre o tema, ele procurou contrastar uma visão simplista e imediatista com uma visão a médio e longo prazo.
De acordo com sua análise, à primeira vista, a resposta para a pergunta acima seria que sim. Para embasar a afirmação, Pio utilizou alguns exemplos, como o de que “a instalação de robôs em uma fábrica de automóveis gera desemprego entre os metalúrgicos, o uso de catracas eletrônicas em ônibus e metrôs gera desemprego entre os trocadores e a automação de escritórios gera desemprego entre auxiliares de escritório e técnicos em contabilidade”.
Agora, caso os avanços da tecnologia sejam analisados em médio prazo, o diretor da 90t.i considera que isso “gera emprego ao invés de gerar desemprego”. Quando uma nova tecnologia substitui um trabalho que era feito manualmente por um ser humano, realmente ocorre uma redução de oferta para o emprego em questão ou até mesmo acontece sua extinção. Em compensação, uma outra indústria, com outras áreas, irá surgir e empregar milhares de pessoas. Pio citou a indústria do automóvel, que além das linhas de montagem, gerou “inúmeros empregos indiretamente: mecânicos, lanterneiros, fabricantes de acessórios e, mais recentemente, fabricante de alarme, ar condicionado, som, etc”.
Para fazer o contraponto utilizando mesmo exemplo da indústria de automóveis, ele exemplificou que “quando substituímos funcionários dessa mesma indústria de automóveis por robôs, em pouco tempo estaremos trocando a oferta de emprego das fábricas de automóveis para as fábricas de robôs. E, naturalmente, surgem novas funções: analista de sistemas, programadores, fabricantes de chips”.
Pio destacou também que importantes condições devem ser levadas em consideração, como “oferecer treinamento para que os trabalhadores de uma profissão extinta possam em pouco tempo exercer outras atividades”. Mas a verdade é que a humanidade precisa evoluir, e os avanços tecnológicos são parte desta evolução. Portanto, é um processo natural que muitas profissões acabem ou sejam reduzidas, enquanto outras tantas são criadas. O artigo completo pode ser visto na edição 1602, do mês de julho, da Revista Informador das Construções.